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Colunas 12/07/2004




Década de 1940: grupo de amigos reunido no salão menor, vendo-se em pé o cabaretier Paco. O segundo da direita para esquerda é o comerciante Walter Neves, tendo ao lado seu irmão Madir. O corte na foto foi feito a propósito por alguém que desejava o anonimato.


Quinteto Típico que atuava na Mangacha na década de 1950: Ary Piassarollo (contrabaixo), João Idiart e Nelson Piragine (violinos), Lélio Figueiredo (piano) e Pery Machado (bandoneon)

Ecos do Passado - A bela época da Mangacha

Rio Grande, nas décadas de 1920 e 1930, viveu o seu apogeu econômico e cultural, com centenas de estabelecimentos fabris que produziam tapetes, tecidos, pescados, charutos, móveis, bebidas, calçados e até rádios. Com uma população de cerca de 60 mil habitantes, Rio Grande formava com Pelotas o terceiro pólo industrial do Brasil, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. É neste cenário que surge o cabaré Mangacha. Capitães da indústria e do comércio e profissionais liberais resolvem gastar seu rico dinheirinho numa forma de divertimento que não os comprometesse socialmente. Criar uma casa discreta que seria freqüentada somente pela elite, fina e cara, foi empreendimento de Ludovina Orallo, apelidada de Mangacha, que já por volta de 1916 se apresentava no Clube dos Caçadores, participando do elenco fixo daquela casa que então existia na rua Riachuelo esquina Benjamin Constant. Conforme depoimento de um dos freqüentadores do cabaré, ainda vivo, Homero Ernst, “Mangacha era uma mulher muito bonita, fina e educada. Não se tratava de uma prostituta. Quando conheceu o pianista e maestro Juan Raphael Mugica, de uma companhia teatral espanhola, apaixonou-se e casaram-se”.
Não se sabe ao certo quando o cabaré Mangacha foi inaugurado. Talvez em 1927 ou 28. O fato é que iniciou no casarão de dois pavimentos da rua Uruguaiana (atual Silva Paes) esquina Barroso, onde permaneceu até fechar. O prédio era composto de dois salões na parte térrea, sendo o maior com capacidade para cerca de 200 pessoas, onde eram realizados os shows e as danças, sempre ao som da orquestra da casa e de músicos famosos que por lá passaram: João Peixoto Primo, Luiz Laviaguerre, João Idiart, Nelson Piragine, Pery Machado, Oscar Geraldo, Pery Silveira, Canabá Ballester e outros. O ator do filme “O Cangaceiro”, Alberto Ruschel, que aqui viveu juntamente com os músicos Luiz Telles e Dilermando Reis (Mandico),quando trabalharam na Cia. Swift, eram assíduos freqüentadores e muito amigos da “dona” Mangacha, como carinhosamente a tratavam. Ali, eles iniciaram a formação de um conjunto musical que depois seria conhecido em todo o Brasil: Quitandinha Serenaders.
Juntamente com o restaurante Gruta Baiana, confeitarias Sol de Ouro e A Dalila e Bar Internacional, a Mangacha é uma das casas mais citadas na história do Rio Grande. Exemplo de uma época de opulência da cidade mais antiga do Estado. A simples lembrança do nome Mangacha evoca a saudade dos que viveram aqueles momentos mágicos.
Ludovina faleceu em 1953, aos 62 anos. Seu esposo, Mugica, diabético e cego, morreu com 66 anos, em 1959. Estão sepultados no Cemitério Católico, e em seus túmulos, ainda hoje, alguém deposita flores por ocasião do dia de Finados.
Depois da morte de Mugica, sob a denominação de “buate”, a Mangacha ainda funcionou até 1970, mas já sem o estilo elegante que sempre a caracterizou. Em 25 de janeiro daquele ano é fechada definitivamente e o prédio é demolido alguns meses depois, dando lugar a um posto de gasolina.
Baseado na obra a sair
“Mangacha – O templo da música” do jornalista Willy Cesar Ferreira



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